Captain Beyond

Depois de gravar dois álbuns excelentes com o Deep Purple, “The book of Talyesin” e “Shades of Deep Purple, o vocalista Rod Evans foi demitido pelo temperamental (por que não dizer excêntrico) Ritchie Blackmore que o acusava de cantar tentando imitar Elvis Presley.
Foi então que em 1972 ao lado de Bob Caldwell (bateria) e dos ex - Iron Butterfly Lee Dorman (baixo) e Larry “Rhino” Reinhardt (guitarra), formou o que seria uma das grandes bandas Hard 70, o Captain Beyond.
Naquele mesmo ano os rapazes conseguiram um contrato com a Warner para gravar seu primeiro álbum, intitulado apenas “Captain Beyond”. As primeiras 2.000 cópias contendo na capa o “Capitão do Além” em holograma são hoje disputadas a preço de ouro pelos colecionadores de vinis do mundo todo. Este disco é considerado como um dos melhores da história do Hard Rock; por outro lado, seus riffs elaborados, seus compassos quebrados (mixtos) executados com extrema competência e energia dificultavam sua entrada nas rádios comerciais e emissoras de TV da época e empurravam a banda para o lado “Underground” da música.
Talvez por esse motivo o segundo álbum, o “Sufficiently Breathless”, lançado em 73, pendesse mais para o lado progressivo, que estava em moda na época. Apesar de ter algumas faixas muito boas como “Distant Sun”, “Starglow Energy” e “Everything’s a Circle”, o trabalho não foi muito bem aceito pelos fãs e pela crítica, as vendas despencaram e a banda foi para a geladeira por 4 anos.
Em 1977 reapareceram com o álbum “Dawn Explosion” que segundo a crítica era tão ruim quanto o segundo e já sem a voz de Rod Evans que desistira de ser músico profissional. Anos mais tarde, em 1980, Evans tentaria uma nova formação do Deep Purple, mas sem conseguir a autorização dos antigos membros, e nem da Thames Talent que administra até hoje os bens da banda, já que ele era o único que havia passado pelo grupo anteriormente.
Esse caso lhe rendeu vários processos e fez com que desaparecesse da cena do rock and roll para sempre.
Após o segundo fiasco a banda retornou aos palcos em 88, participando de alguns festivais pela Europa. Em 2000, lançaram o quarto álbum intitulado “Night Train Calling” desta vez com Jimi Interval nos vocais, Dan Frye nos teclados e Jeff Artabasy no baixo, já que Lee Dorman está na fila para um transplante cardíaco.
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Por Marcelo Pizarro
Arcadium
Mais um daqueles grupos incríveis que gravaram apenas um LP e infelizmente desapareceram sem deixar vestígios.
Esta banda inglesa, formada por Miguel Sergides (violão 12, voz), Graham Best (baixo, vocal), Allan Ellwood (orgão, vocal), John Albert Parker (bateria) e Robert Ellwood (guitarra, vocal) não negava suas influências em “Doors”, “Vanilla Fudge”, “Beatles”, “Yardbirds”, mas ao mesmo tempo se lançava ao futuro com seus climas de teclados, suas guitarras ácidas e uma cozinha super amarrada ao melhor estilo das bandas progressivas (como King Crimson, entre outras) que ainda estavam engatinhando na época.
Alguns críticos arriscam dizer que o disco “Breathe Awhile 69″ foi um marco na história do rock progressivo, ao lado, ou até melhor que o “In the Court of the Crimson King” do mesmo ano. Exageros à parte, o fato é que o Arcadium fazia um rock básico muito bem construído, com aquela sonoridade dos anos 60, somada aos elementos novos dos estilos que já se desenhavam para a próxima década, mas sem perder o toque de psicodelismo em suas composições.
Para quem curte o estilo (Psych / Prog / Hard) o “Breathe Awhile” é um prato cheio. 54 minutos de música da melhor qualidade, e como disse um jornalista em sua coluna para um certo site: “Compre, empreste, alugue, roube (faça o que melhor lhe convier) mas tenha esse discão na sua discoteca básica.
Um abraço e até a próxima.
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Por Marcelo Pizarro
Cactus
Com o fim do Vanilla Fudge, Tim Bogart (baixo) e Carmine Appice (bateria) foram convidados pelo guitarrista Jeff Beck para formar um super grupo ao lado do cantor Rod Stewart, projeto que teve de ser adiado devido a um grave acidente de moto sofrido por Jeff Beck.
Como não podiam ficar parados, Bogart e Appice convidaram o guitarrista Jim McCarty e o vocalista Rusty Day e criaram o que seria uma das grandes bandas do “hard/blues/rock 70″, o Cactus.
Com essa formação gravaram, em 1970, seu primeiro álbum intitulado somente “Cactus”, disco que
alterna hards pesadíssimos, baladas levemente country e versões super inspiradas de dois ícones do blues, Mose Allison e Willie Dixon.
Em 1971 lançariam mais dois álbuns, “One way… or Another” e “Restrictions” que seguem a mesma fórmula do primeiro disco, alternando petardos com baladas e versões e que resultaram em mais dois grandes álbuns “hard 70″.
Talvez devido a pouca repercussão destes discos, brigas internas acabaram fazendo com que Rusty e McCarty saíssem da banda, dando lugar ao
guitarrista Werner Frittzchings, ao vocalista Peter French (ex Atomic Rooster) e ainda ao tecladista Duane Hitchings.
Com essa formação gravaram mais um álbum, o “Ot’ N’ Sweaty” que mescla, no lado A, um show realizado em Porto Rico e no lado B gravações de estúdio na mesma linha dos álbuns anteriores. Novamente, porém, brigas internas acabaram com a banda e desta vez Bogart e Appice resolveram montar com Jeff Beck o trio Beck, Bogart, Appice (de que falaremos numa outra oportunidade).
Recentemente foi lançado, pelo selo Handmade da Rhino Records uma edição limitada de 5.000 cópias de um CD duplo, o “Fully Unleashed / The Live Gigs vol.2″, contendo uma apresentação do Cactus no Gilligan’s de Nova Iorque com a formação original da banda. Um detalhe: doze das treze faixas nunca foram lançadas antes. Imperdível!
Baixe o ouça alguns hits do Cactus
Por Marcelo Pizarro
Sir Lord Baltimore
A julgar pelo nome e pela arte das capas de seus dois LPs, “Kingdom Come” de 1970 e “Sir Lord Baltimore” de 1971 poderíamos jurar tratar-se de uma banda inglesa, mas como as aparências enganam… estamos falando de uma das mais interessantes e criativas bandas do Hard Rock, o nova-iorquino Sir Lord Baltimore.
Formado por Louis Dambra (guitarra / vocais), Gary Justin (baixo), John Garner (bateria / vocais) e Joey Dambra (teclados / guitarra / vocais, só no segundo disco), a banda passeia por uma sonoridade que vai do pesadíssimo às baladas quase angelicais, dos riffs poderosos às canções quase progressivas e dos vocais que nos levam do céu ao inferno de uma para outra faixa, mas sempre mantendo o estilo marcante de suas composições.
Infelizmente a banda não foi além dos dois primeiros discos, apesar de muitas vezes se cogitar a sua volta aos palcos, mas sem sucesso.
Para quem não conhece vai aí uma boa sugestão e para os fãs, como eu, é sempre bom ouvir novamente.
Um grande abraço e até a próxima!
Baixe algumas faixas do Sir Lord Baltmore
Por Marcelo Pizarro
Dust
O guitarrista Marcelo Pizarro estréia sua coluna no site da Companhia das Cordas. Todos os meses ele irá trazer bandas, gravações e referências diretamente de sua coleção de LPs raros de rock. Leia, ouça e aprecie as capas originais. Quase dá pra sentir a textura dos velhos bolachões de vinil.

Nessa coluna de estréia gostaria de falar um pouco sobre uma das mais interessantes pérolas esquecidas do hard rock, a banda nova-iorquina “Dust”, que traçou uma linha direta entre o hard tradicional e o que viria a se definir sob o rótulo de heavy metal na década seguinte. Embora pouco conhecida, a banda pode ser considerada precursora da estética metal, a começar pela arte das capas de seus dois únicos registros discográficos: Dust de 1971 e Hard Attack de 1972.

Este trio poderoso formado por Richie Wise (guitarra e vocal), Kenny Aaronson (baixo, steel guitar, vocais) e Marc Bell (bateria) desapareceu em 1972, mas seus integrantes tiveram vida longa no rock´n roll. Kenny tocaria ainda com vários artistas como Bob Dylan, Billy Idol, entre outros. Richie se tornaria produtor musical de várias bandas de sucesso e Marc ganharia o mundo sob a alcunha de Marky Ramone.
Confira alguns sucessos do Dust
Por Marcelo Pizarro