Foghat
O Foghat, apesar de não ser muito conhecido pelo grande público, não é o que podemos considerar como uma banda “lado B”. Formado no início dos anos 70 na Inglaterra, isso mesmo, apesar de muitos jurarem de pés juntos que os caras eram americanos. Foi com a dissolução da banda “Savoy Brown” que Dave Peveret (voz e guitarra) e Roger Earl (bateria) juntaram-se a Craig MacGregor (baixo) e Rod Price(guitarra). Ao contrário do Savoy, os rapazes do Foghat não conseguiram nenhum reconhecimento em terras de vossa majestade o que fez com que se mudassem para os Estados Unidos , lá ficando para sempre, fazendo um som conhecido como “boogie”(uma espécie de blues tocado mais rápido), mas com a pegada pesada do Hard Rock.
Apesar de muitos álbuns gravados podemos considerar que a fase áurea do Foghat vai até 1977, destacando-se álbuns como “Energized” 74, “Fool for the City” 75, “Rock’n'Roll Outlaws” 75, “Stone Blue” 75, “Night Shift” 76 e “Foghat Live” 77. A partir daí, a banda mostrou uma certa falta de motivação e garra em álbuns que pouco chamaram a atenção até terminarem em 89. Em 1992 voltaram a fazer algumas apresentações em pequenos clubes sem a preocupação de gravar um novo álbum até que o produtor e fã numero um da banda “Rick Rubin”, os convenceu a fazer um disco que marcaria o retorno da banda. Em 94 foi lançado “Return of the Boogie Man”.
A banda fez diversos shows divulgando o disco, mesmo quando o vocalista Dave Peveret descobriu que estava com câncer e se esforçou ao máximo para manter o pique da banda no palco até que em fevereiro de 2000, sua voz marcante silenciasse na terra para sempre.
Um grande abraço e até mais!
Por Marcelo Pizarro
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Armageddon

Este disco homônimo, uma verdadeira obra prima, foi o derradeiro na carreira e também na vida de Keith Relf. Este compositor, guitarrista, gaitista e vocalista inglês, que anos antes participara do “Yardbirds” e da primeira formação do “Renaissance”, cansado das turnês e desiludido com o show business vinha se dedicando a trabalhar como produtor e músico de estúdio.
Em 1974, ao lado dos ex-”Steamhammer” (uma banda que havia produzido e acompanhado) Martin Pugh (guitarra) e Louis Cennamo (baixo) com quem já tocara no “Renaissance”, que Relf parte para Los Angeles. Lá eles convidam o ex-”Captain Beyond” Bobby Caldwell (bateria) para completar o time. Nasce aí, o que seria uma das grandes bandas da história do hard rock, o “Armageddon”.
Hard rock intrincado, inteligente e porque não dizer genial, com uma sonoridade vigorosa e limpa que muito lembrava o próprio “Captain Beyond”, graças às levadas quebradas de baixo e bateria e excelentes riffs de guitarra com timbragens alucinantes.
Apesar de muito bem recebido pelo público e crítica, a banda chegou ao fim em 75 pela clássica somatória de fatores: problemas com drogas, falta de gerenciamento por parte do empresário, etc.
Em 76, já de volta à Inglaterra, Relf e Cennamo se unem aos antigos membros do “Renaissance” (Jim McCarty e Jane Relf) para um retorno, agora com o nome de “Ilusion”. Foi num ensaio dessa nova banda que Keith Relf morreu eletrocutado por sua guitarra.
Mais uma grande perda no universo do rock.
Um grande abraço e até mais!
Por Marcelo Pizarro
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Pink Fairies
O Pink Fairies é uma daquelas bandas que quanto mais ouvimos, mais gostamos. Donos de uma sonoridade crua, suja e arrojada, seus vocais são rudes e os arranjos vão dos riffs pesadíssimos à climas viajantes tanto em composições do grupo quanto em covers como “Walk Don’t Run” dos Ventures e “I Saw Here Standing There” dos Beatles.
Formada em 1970 por Paul Rudolph (guitarra e vocais), Duncan Sanderson (baixo) e Russel Hunter (bateria), todos ex-integrantes do grupo “The Deviants”, um conhecido combo anárquico inglês liderado pelo jornalista Mick Farren, a fase áurea da banda está registrada em 3 discos de estúdio.
“Never Neverland” saiu em 71. “What a Bunch of Sweeties”, de 72, culminou com a saída de Paul Rudolph e que segundo consta, teria sido pelo excessivo consumo de LSD, o que estaria prejudicando os rumos da banda. Para o seu posto foi convocado o guitarrista Mick Wayne (ex-David Bowie). Depois de duas apresentações e uma gravação que gerou 2 singles (”Well, Well, Well” e “Hold On”) Wayne acabou demitido por discordâncias sobre a direção musical da banda. Em seu lugar ficou o guitarrista Larry Wallis (ex-UFO, Shagrat, etc.), que já havia sido contratado como segundo guitarrista e assumiu então a linha de frente dos fairies como guitarra e voz.
Com o power trio Russel, Sanderson e Wallis, partiram para a gravação do terceiro álbum, “Kings of Oblivion” de 73 e que é considerado pela crítica tão bom quanto os anteriores.
Sonzeira mesclando toques ácidos de psicodelia com um hard rock vigoroso, como o clássico “Do It”, que proclama a anarquia ampla, geral e irrestrita e que inspirou uma geração de ícones do movimento punk rock, como John Lydon e Sid Vicious do Sex Pistols.
Apesar de muito aclamada no circuito alternativo e também pelos universitários e “hippies” de plantão, a banda nunca alcançou as grandes massas e com o passar dos anos acabou jogada no pântano das obscuridades musicais. Apesar de muitas tentativas, o Pink Fairies oficialmente nunca mais voltou, ou melhor, em 1987, Russel, Sanderson, Wallis, Twink e Andy Colquhon se reuniram para gravar o álbum “Kill’Em and Eat’Em”, que foi o último registro da banda.
Um grande abraço e até mais!
Por Marcelo Pizarro
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Captain Beyond

Depois de gravar dois álbuns excelentes com o Deep Purple, “The book of Talyesin” e “Shades of Deep Purple, o vocalista Rod Evans foi demitido pelo temperamental (por que não dizer excêntrico) Ritchie Blackmore que o acusava de cantar tentando imitar Elvis Presley.
Foi então que em 1972 ao lado de Bob Caldwell (bateria) e dos ex - Iron Butterfly Lee Dorman (baixo) e Larry “Rhino” Reinhardt (guitarra), formou o que seria uma das grandes bandas Hard 70, o Captain Beyond.
Naquele mesmo ano os rapazes conseguiram um contrato com a Warner para gravar seu primeiro álbum, intitulado apenas “Captain Beyond”. As primeiras 2.000 cópias contendo na capa o “Capitão do Além” em holograma são hoje disputadas a preço de ouro pelos colecionadores de vinis do mundo todo. Este disco é considerado como um dos melhores da história do Hard Rock; por outro lado, seus riffs elaborados, seus compassos quebrados (mixtos) executados com extrema competência e energia dificultavam sua entrada nas rádios comerciais e emissoras de TV da época e empurravam a banda para o lado “Underground” da música.
Talvez por esse motivo o segundo álbum, o “Sufficiently Breathless”, lançado em 73, pendesse mais para o lado progressivo, que estava em moda na época. Apesar de ter algumas faixas muito boas como “Distant Sun”, “Starglow Energy” e “Everything’s a Circle”, o trabalho não foi muito bem aceito pelos fãs e pela crítica, as vendas despencaram e a banda foi para a geladeira por 4 anos.
Em 1977 reapareceram com o álbum “Dawn Explosion” que segundo a crítica era tão ruim quanto o segundo e já sem a voz de Rod Evans que desistira de ser músico profissional. Anos mais tarde, em 1980, Evans tentaria uma nova formação do Deep Purple, mas sem conseguir a autorização dos antigos membros, e nem da Thames Talent que administra até hoje os bens da banda, já que ele era o único que havia passado pelo grupo anteriormente.
Esse caso lhe rendeu vários processos e fez com que desaparecesse da cena do rock and roll para sempre.
Após o segundo fiasco a banda retornou aos palcos em 88, participando de alguns festivais pela Europa. Em 2000, lançaram o quarto álbum intitulado “Night Train Calling” desta vez com Jimi Interval nos vocais, Dan Frye nos teclados e Jeff Artabasy no baixo, já que Lee Dorman está na fila para um transplante cardíaco.
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Por Marcelo Pizarro
Arcadium
Mais um daqueles grupos incríveis que gravaram apenas um LP e infelizmente desapareceram sem deixar vestígios.
Esta banda inglesa, formada por Miguel Sergides (violão 12, voz), Graham Best (baixo, vocal), Allan Ellwood (orgão, vocal), John Albert Parker (bateria) e Robert Ellwood (guitarra, vocal) não negava suas influências em “Doors”, “Vanilla Fudge”, “Beatles”, “Yardbirds”, mas ao mesmo tempo se lançava ao futuro com seus climas de teclados, suas guitarras ácidas e uma cozinha super amarrada ao melhor estilo das bandas progressivas (como King Crimson, entre outras) que ainda estavam engatinhando na época.
Alguns críticos arriscam dizer que o disco “Breathe Awhile 69″ foi um marco na história do rock progressivo, ao lado, ou até melhor que o “In the Court of the Crimson King” do mesmo ano. Exageros à parte, o fato é que o Arcadium fazia um rock básico muito bem construído, com aquela sonoridade dos anos 60, somada aos elementos novos dos estilos que já se desenhavam para a próxima década, mas sem perder o toque de psicodelismo em suas composições.
Para quem curte o estilo (Psych / Prog / Hard) o “Breathe Awhile” é um prato cheio. 54 minutos de música da melhor qualidade, e como disse um jornalista em sua coluna para um certo site: “Compre, empreste, alugue, roube (faça o que melhor lhe convier) mas tenha esse discão na sua discoteca básica.
Um abraço e até a próxima.
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Por Marcelo Pizarro
Cactus
Com o fim do Vanilla Fudge, Tim Bogart (baixo) e Carmine Appice (bateria) foram convidados pelo guitarrista Jeff Beck para formar um super grupo ao lado do cantor Rod Stewart, projeto que teve de ser adiado devido a um grave acidente de moto sofrido por Jeff Beck.
Como não podiam ficar parados, Bogart e Appice convidaram o guitarrista Jim McCarty e o vocalista Rusty Day e criaram o que seria uma das grandes bandas do “hard/blues/rock 70″, o Cactus.
Com essa formação gravaram, em 1970, seu primeiro álbum intitulado somente “Cactus”, disco que
alterna hards pesadíssimos, baladas levemente country e versões super inspiradas de dois ícones do blues, Mose Allison e Willie Dixon.
Em 1971 lançariam mais dois álbuns, “One way… or Another” e “Restrictions” que seguem a mesma fórmula do primeiro disco, alternando petardos com baladas e versões e que resultaram em mais dois grandes álbuns “hard 70″.
Talvez devido a pouca repercussão destes discos, brigas internas acabaram fazendo com que Rusty e McCarty saíssem da banda, dando lugar ao
guitarrista Werner Frittzchings, ao vocalista Peter French (ex Atomic Rooster) e ainda ao tecladista Duane Hitchings.
Com essa formação gravaram mais um álbum, o “Ot’ N’ Sweaty” que mescla, no lado A, um show realizado em Porto Rico e no lado B gravações de estúdio na mesma linha dos álbuns anteriores. Novamente, porém, brigas internas acabaram com a banda e desta vez Bogart e Appice resolveram montar com Jeff Beck o trio Beck, Bogart, Appice (de que falaremos numa outra oportunidade).
Recentemente foi lançado, pelo selo Handmade da Rhino Records uma edição limitada de 5.000 cópias de um CD duplo, o “Fully Unleashed / The Live Gigs vol.2″, contendo uma apresentação do Cactus no Gilligan’s de Nova Iorque com a formação original da banda. Um detalhe: doze das treze faixas nunca foram lançadas antes. Imperdível!
Baixe o ouça alguns hits do Cactus
Por Marcelo Pizarro
Sir Lord Baltimore
A julgar pelo nome e pela arte das capas de seus dois LPs, “Kingdom Come” de 1970 e “Sir Lord Baltimore” de 1971 poderíamos jurar tratar-se de uma banda inglesa, mas como as aparências enganam… estamos falando de uma das mais interessantes e criativas bandas do Hard Rock, o nova-iorquino Sir Lord Baltimore.
Formado por Louis Dambra (guitarra / vocais), Gary Justin (baixo), John Garner (bateria / vocais) e Joey Dambra (teclados / guitarra / vocais, só no segundo disco), a banda passeia por uma sonoridade que vai do pesadíssimo às baladas quase angelicais, dos riffs poderosos às canções quase progressivas e dos vocais que nos levam do céu ao inferno de uma para outra faixa, mas sempre mantendo o estilo marcante de suas composições.
Infelizmente a banda não foi além dos dois primeiros discos, apesar de muitas vezes se cogitar a sua volta aos palcos, mas sem sucesso.
Para quem não conhece vai aí uma boa sugestão e para os fãs, como eu, é sempre bom ouvir novamente.
Um grande abraço e até a próxima!
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Por Marcelo Pizarro
Dust
O guitarrista Marcelo Pizarro estréia sua coluna no site da Companhia das Cordas. Todos os meses ele irá trazer bandas, gravações e referências diretamente de sua coleção de LPs raros de rock. Leia, ouça e aprecie as capas originais. Quase dá pra sentir a textura dos velhos bolachões de vinil.

Nessa coluna de estréia gostaria de falar um pouco sobre uma das mais interessantes pérolas esquecidas do hard rock, a banda nova-iorquina “Dust”, que traçou uma linha direta entre o hard tradicional e o que viria a se definir sob o rótulo de heavy metal na década seguinte. Embora pouco conhecida, a banda pode ser considerada precursora da estética metal, a começar pela arte das capas de seus dois únicos registros discográficos: Dust de 1971 e Hard Attack de 1972.

Este trio poderoso formado por Richie Wise (guitarra e vocal), Kenny Aaronson (baixo, steel guitar, vocais) e Marc Bell (bateria) desapareceu em 1972, mas seus integrantes tiveram vida longa no rock´n roll. Kenny tocaria ainda com vários artistas como Bob Dylan, Billy Idol, entre outros. Richie se tornaria produtor musical de várias bandas de sucesso e Marc ganharia o mundo sob a alcunha de Marky Ramone.
Confira alguns sucessos do Dust
Por Marcelo Pizarro