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Os efeitos da música no cérebro humano

Uma matéria do site Com Ciência, revista eletrônica de jornalismo científico ligada à SBPC, discorre sobre os efeitos da música no cérebro. Segundo ela “pode-se afirmar que a atividade musical envolve quase todas as regiões do cérebro e os subsistemas neurais. Quando uma música emociona, são ativadas estruturas que estão nas regiões instintivas do verme cerebelar (estrutura do cerebelo que modula a produção e liberação pelo tronco cerebral dos neurotransmissores dopamina e noradrenalina), e da amídala (principal área do processamento emocional no córtex) . Na leitura musical, o córtex visual é a área utilizada. O ato de acompanhar uma música é capaz de ativar o hipocampo (responsável pelas memórias) e o córtex frontal inferior. Já para a execução de músicas, são acionados os lobos frontais – o córtex motor e sensorial.”

A matéria fala também dos mitos relacionados à música, dos efeitos da música no desenvolvimento cognitivo dos bebês à necessidade do “dom” para desenvolver as habilidades musicais. Segundo ela “Primeiramente, o que influencia mais no aprendizado musical: o dom e a predisposição ou o domínio da técnica e o treino musical? Esta é uma das questões que os cientistas de diversas áreas do conhecimento – música, psicologia, medicina, educação – tentam responder. Para Caroline Pacheco, mestre em cognição e filosofia da música pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), “é evidente que algumas pessoas têm maior predisposição para fazer música, assim como outras têm maior facilidade para resolver problemas matemáticos ou para aprender línguas. Todavia, o treinamento, ou seja, o engajamento com atividades de educação musical pode influir tanto, ou mais, que o tão famoso dom no aprendizado musical”.

Para ler mais sobre a matéria no site Com Ciência, clique aqui.

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Bolsas para Campos do Jordão

A 41ª edição do Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão vai oferecer 171 bolsas de estudo para estudantes de música clássica de todo o Brasil. As inscrições podem ser realizadas até o dia 26 de março, no site do Festival (acesse aqui).

As audições serão realizadas somente em São Paulo, entre os dias 9 e 11 de abril, na sede da Tom Jobim - EMESP. Podem participar da seleção músicos de até 30 anos (nascidos a partir de 1º de janeiro de 1980). Para o curso de canto e composição, o limite de idade é de 35 anos (nascidos a partir de 1º de janeiro de 1975).

Os selecionados participarão de um laboratório de prática musical, com aulas ministradas por profissionais ligados a instituições de referência na música clássica no Brasil e no mundo, da prática de música de câmara e de ensaios com a orquestra do Festival.

Os bolsistas terão direito a um programa de atividades musicais (aulas, ensaios, concertos e master classes), transporte, hospedagem, refeições e acesso gratuito aos concertos realizados no Festival, e ainda concorrerão a seis prêmios. Entre eles, o tradicional Prêmio Eleazar de Carvalho, que concede uma bolsa de estudos de R$ 48 mil ao destaque. São oferecidos ainda prêmios nos valores de R$ 8 mil e R$ 15 mil.

Fonte: A Tarde Online

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Escolas devem implantar aulas de música na grade curricular

A lei nº 11.769, de 2008, impõe que até agosto de 2011 toda escola particular ou privada deverá implantar aulas de música na disciplina de Artes. A ideia não é constituir músicos profissionais, mas trazer benefícios através da prática e da teoria.
Os efeitos de melodias e harmonias na vida das pessoas já foram constatados, inclusive, na área da saúde. Pesquisas revelam que há benefícios no tratamento contra a dor e no pós-operatório. Agora é a educação que extrai dessa arte o que ela tem de melhor. Formado em música pela UEM, professor de piano e violão, Geliel Silva explica que a música não precisa ser sempre funcional. “Ela promove o desenvolvimento cultural, estético, intelectual e a socialização”, considera. Com a inserção da música na escola formal, Silva acredita que “haverá uma maior valorização dos músicos em geral”.
Fonte: Diário do Norte do Paraná Online - Publicado em 02/03/2010.

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Educação musical favorece aprendizado de idiomas

Em matéria de 22/02 a revista Veja online publicou pesquisa sobre a influência da educação musical na melhora do entendimento dos sons. Esse aumento na capacidade de identificar os sons favorece o aprendizado de idiomas estrangeiros e também a compreensão do nosso próprio idioma em situações de confusão sonora. Veja abaixo um trecho da matéria:

“De acordo com a pesquisa da Northwestern University, em Chicago, tocar instrumentos influencia o processamento automático de informações no tronco cerebral, parte do cérebro que controla a respiração, os batimentos cardíacos e a reação aos sons. “Tocar música exige a habilidade de extrair padrões relevantes, tais como o som de um instrumento, harmonia e ritmos, de um ambiente sonoro”, disse Nina Kraus, líder do estudo.

Para a neurocientista, “tocar um instrumento pode ajudar os jovens a processarem melhor a fala em salas de aula barulhentas e interpretarem de forma mais acurada as nuances da linguagem que são transmitidas por mudanças sutis na voz humana”. Os benefícios, segundo Nina, não se restringem ao processamento de estímulos musicais. “Descobrimos que anos de treinamento musical também podem melhorar a forma como os sons são processados para a linguagem e emoção”.”

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Saudades do Pena Branca


‘A viola quebrou’ de Pena Branca e Aleixinho. Concerto de lançamento do livro e DVD “Violeiros do Brasil”, no Chevrolet Hall, Belo Horizonte, em 8 de maio de 2009.

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Morre Les Paul

“Les Paul, o guitarrista e inventor que mudou a história da música com a guitarra elétrica e a gravação multicanais e chegou a ter alguns hits nas paradas (muitos ao lado da esposa Mary Ford), morreu nesta quarta-feira, 12 de agosto. Ele tinha 94 anos.

De acordo com a empresa Gibson Guitars, Paul morreu no White Plains Hospital, devido às complicações de uma pneumonia. Ele estava acompanhado da família e de amigos.

Ele havia sido hospitalizado em fevereiro de 2006, quando descobriu que ganharia dois Grammys por um disco que havia lançado depois de seu aniversário de 90 anos, “Les Paul & friends: American made, World played”.

“Eu me sinto como um prédio condenado com uma bandeira novinha em folha instalada em cima”, brincou na época.

Como inventor, Paul ajudou no nascimento do rock ‘n roll ao criar a primeira guitarra elétrica de corpo sólido, e também foi responsável por uma das invenções mais revolucionárias nos métodos de gravação: o gravador multicanal.

Com ele, os músicos puderam gravar instrumentos diferentes na mesma música, até mesmo cantando em harmonia consigo mesmos - além de poderem mexer no equilíbrio entre as faixas dos canais para finalizar suas gravações.

Músico

Com Ford, sua esposa entre 1949 e 1962, ele conseguiu 36 discos de ouro e 11 hits no primeiro lugar das paradas, incluindo “Vaya con Dios”, “How High the Moon”, “Nola” e “Lover”. Muitas das músicas da dupla usavam técnicas de gravação que Paul, o inventor, ajudou a desenvolver.

“Eu podia pegar Mary e fazer ela ter três, seis, nove, 12, quantas vozes quisesse”, já explicou Paul. “Ter a dinâmica, ter a possibilidade de se expressar para além dos limites de um instrumento não amplificado era incrível. Hoje ninguém pensaria em cantar uma música em um palco sem um microfone e um sistema de som”.

Músico e criador desde a infância, ele experimentou com a amplificação de guitarras por anos antes de chegar ao que chamou em 1941 de “The log” (“A tora”), uma placa de madeira com cordas de vilão de aço.

“Eu fui até uma casa noturna e a toquei. É claro que todo mundo me chamou de doido”. Mais tarde ele colocou asas de madeira no corpo do instrumento para dar a impressão do formato de um violão mais tradicional.

Em 1952 a Gibson Guitar começou a produção da guitarra Les Paul. Pete Townshend do The Who, Steve Howe do Yes, o virtuoso jazzista Al DiMoela e Jimmy Page do Led Zeppelin estão entre os que escolherem a Gibson Les Paul como sua guitarra preferida.

Ao longo dos anos a série Les Paul se tornou uma das guitarras mais usadas na indústria musical. Em 2005, a casa de leilões Christie’s vendeu uma Gibson Les Paul de 1955 por US$ 45.600 (mais de R$ 85 mil).”

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Ang Lee filma Woodstock em tom banquinho e violão


Festival, que teve Hendrix e Joplin, completa 40 anos em 15 de agosto

“Venho de um lugar cuja própria definição é muito complicada. Não é uma nação. Não é sequer um país. É humilhante. Você convive com isso e espera que seja aceitável. Por essa razão, Woodstock é tão precioso para mim. Em Woodstock, tudo era aceitável.”

Essa é a explicação do cineasta Ang Lee sobre a decisão de filmar “Aconteceu em Woodstock”, longa baseado em livro de Elliot Tiber (”Taking Woodstock”). O filme concorreu no Festival de Cannes, em maio, onde Lee conversou com a Folha. A estreia no Brasil está prevista para janeiro de 2010.

Filho de chineses que “escaparam do comunismo indo para Taiwan”, Lee viveu até os 21 anos em seu “humilhante” não país, até que decidiu pós-graduar-se em artes nos EUA, onde construiu uma carreira de sucessos que incluem “O Tigre e o Dragão” e “O Segredo de Brokeback Mountain”.

Numa entrevista à TV para divulgar um de seus filmes, o cineasta conheceu Tiber, que falava sobre seu livro, com o qual presenteou Lee.

Em “Taking Woodstock”, Tiber narra a história por trás dos shows. Jovem gay filho de austeros imigrantes para quem não tinha coragem de revelar sua homossexualidade, ele tenta salvar da bancarrota o decadente hotel da família.

Com um golpe de sorte e uma dose de inconsequência, Tiber acaba fechando o contrato para abrigar os shows de rock e atrai para a região o público hippie que a cidade vizinha rechaçara.

“Cultura repressiva”

“Assim como esse cara [Tiber], eu cresci numa cultura repressiva”, aponta Lee. Por isso, embora o filme seja predominantemente uma comédia, o diretor diz: “Não pude evitar ter um tom melancólico também. O tempo de descobrir a liberdade e a aceitação é também o tempo de dizer adeus aos seus pais, de cortar os laços”.

Lee afirma que, apesar de ter grande interesse “no impacto social de Woodstock e na era que ele sintetiza”, só conseguiria abordar o assunto no cinema se fosse “por uma perspectiva pessoal, das mudanças que Woodstock provocou na vida de um indivíduo”.

Além disso, se Woodstock, e não Tiber, fosse o protagonista de “Aconteceu em Woodstock”, Lee se veria diante da “impossibilidade de reproduzir os shows e escalar um número inimaginável de figurantes”.

Com a escolha de contar uma história íntima do episódio, Lee fez um filme sobre Woodstock num tom banquinho e violão.

Para interpretar Tiber, ele escalou o humorista Demetri Martin, uma espécie de Marcelo Adnet americano, cujo trabalho conheceu pelo YouTube (”Jokes With Guitar”).

Martin acentua o viés cômico do filme. Lee diz que a predominância desse tom está relacionada ao fato de que “Woodstock teve um final feliz: não tinha banheiro nem comida [suficientes], havia um medo constante de ser eletrocutado, mas eles fizeram aquilo sem registro de violência”.

Na opinião do cineasta, a “essência otimista” daqueles dias de show “se perdeu”. Ainda assim, ele vê ecos da era “que iniciou toda a luta pela igualdade dos direitos humanos” na eleição de Barack Obama nos EUA.

“Meu filho faltou à aula para ir à posse de Obama. Eu dizia: “O que você está fazendo aí? São milhões de pessoas. Não dá para ver nada”. E um amigo comentou: “É como ir a Woodstock. É um momento histórico. Você tem que participar”.”

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Estrelinhas, constelações e galáxias

A morte de Michael Jackson é um dos signos mais evidentes e dolorosos do fim da era dos popstars planetários. Até os anos 90, o poder de comunicação e difusão estava nas mãos das grandes gravadoras multinacionais. Só elas tinham o dinheiro, a tecnologia e a organização para divulgar, promover e vender seus artistas no mundo inteiro. Estratégia vitoriosa: as filiais internacionais dividiam os custos, e multiplicavam os lucros. Tão vitoriosa que logo os orçamentos de promoção e marketing superavam de longe os de produção e desenvolvimento.

Na era da internet, da tecnologia da informação, da democratização dos meios de comunicação, o efeito é a multiplicação de estrelas locais, regionais, nacionais, e cada vez menos popstars globais como Michael Jackson, Madonna ou os Rolling Stones. Esses, são história viva.

Hoje, os pretendentes ao estrelato mundial competem com todos os anônimos, ou quase, com todas as pequenas e médias estrelas em ascensão em todos os cantos do mundo, que cantam na língua que as pessoas entendem, que falam de coisas que eles sentem, que têm redes de fãs na internet. Produzir é fácil, difícil é chamar a atenção do público. Está dura a vida de popstar hoje em dia.

Nos anos 70 e 80, não só da ditadura, mas do nacionalismo e do protecionismo, a música angloamericana dominava os grandes mercados e os periféricos, inclusive o Brasil, apesar de nossa fabulosa produção musical da época. Com a globalização e a internet, as previsões nacionalistas e antiimperialistas eram de que a música angloamericana, o som do Império, tomaria conta do mundo de vez, era tudo uma conspiração tecnológica para dominar o planeta.

Pura paranóia do perfeito idiota latinoamericano. Na era da informação globalizada, o jogo virou: as músicas nacionais passaram a dominar as vendas de discos. No Brasil, mais de 75% do mercado são de produto nacional, bruto ou fino. E também na China, na Índia, na Espanha, no Japão, os artistas nacionais dominam o mercado. A internet pulverizou a informação e transformou um céu de poucas estrelas muito brilhantes em novas constelações e galáxias.

Copyright @ 2006 Nelson Motta, em Sintonia Fina

Para mais informações: info@sintoniafina.com.br

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Música: emoção universal?

Uma música que soa alegre para brasileiros também seria percebida assim por japoneses? E uma marcha fúnebre tocada nos Estados Unidos pareceria triste na Índia? Estudo recente sobre percepção musical investigou quais aspectos são universais e quais se desenvolvem com a exposição a uma cultura musical específica. Os resultados da pesquisa, publicada na revista Current Biology, revelam que a capacidade de reconhecer emoções básicas na música é universal e independe de influências culturais.

Ao longo da história da civilização humana, em diferentes culturas, os povos produziram e se encantaram com a música. Em culturas ocidentais, a capacidade de uma determinada música de evocar emoções é condição fundamental para que seja apreciada. Essa característica não é necessariamente observada em todas as culturas. Em algumas delas, a música teria outras funções, como a de coordenação grupal em rituais, deixando em aberto a questão da universalidade no reconhecimento da ‘emoção’ na música, bem como na sua apreciação.

Para esclarecer essas questões, Thomas Fritz, do Departamento de Ciências Cerebrais e Cognitivas Humanas do Instituto Max Planck (Alemanha), e colegas realizaram um estudo no qual o tipo de música a ser apresentado fosse completamente desconhecido para o ouvinte. Esse pré-requisito foi essencial, pois a mera exposição ocasional a um tipo de música (por exemplo, ao se assistir a um filme ou se ouvir rádio) pode levar ao aprendizado daquele tipo de som.

Na primeira etapa do estudo, os pesquisadores investigaram a habilidade dos participantes de identificar as três emoções básicas/inatas (alegria, tristeza e medo) expressas na música ocidental. Foram selecionados participantes que pertenciam à etnia Mafa, que, juntamente com outros quase 250 grupos, compõe a população de Camarões. Eles vivem no extremo norte da montanha de Mandara, área culturalmente isolada devido à alta prevalência de doenças endêmicas. Além disso, muitos de seus habitantes têm um estilo de vida tradicional (por exemplo, sem energia elétrica), nunca tendo sido expostos à música ocidental. Esse grupo torna-se, portanto, o candidato ideal para investigar a universalidade no reconhecimento da emoção na música.

Expressões faciais

Tanto os nativos africanos (população Mafa) quanto os participantes ocidentais ouviram a excertos de música ocidental (curtas peças de piano). Os indivíduos deveriam selecionar entre três expressões faciais representativas de emoções (alegria, tristeza e medo) a que melhor representasse a emoção expressada pela música. As expressões faciais estavam apresentadas em fotografias extraídas de um catálogo elaborado pelo psicólogo norte-americano Paul Ekman.

A utilização dessa metodologia como instrumento para medir emoções vem de estudos da década de 1970 que mostraram que o reconhecimento de algumas emoções nas expressões faciais é universal e, portanto, biológico em sua origem, como antecipado um século antes pelo naturalista inglês Charles Darwin (1809-1882). Nos estudos conduzidos por Ekman, membros de uma cultura isolada (na Papua-Nova Guiné) identificavam corretamente as emoções nas expressões faciais de pessoas de outras culturas.

Na primeira fase do experimento, Fritz e colegas mostraram que o percentual de reconhecimento correto de cada emoção para o grupo étnico (Mafa) – que desconhecia a música ocidental – foi acima do nível da chance, à semelhança dos participantes ocidentais. Isso indica que algum aspecto da música ocidental (como o ritmo, por exemplo) contém informação de caráter emocional que possa ser reconhecido universalmente e transcenda os limites culturais. Segundo os pesquisadores, “esse reconhecimento pode ser comparado ao também universal reconhecimento de expressões faciais ou da entonação que usamos ao falar”.

Na fase seguinte, um experimento foi conduzido para avaliar a apreciação musical. Estudos anteriores já haviam mostrado que ocidentais percebem uma música como mais agradável quando ela é consonante (harmônica). Agora, os pesquisadores quiseram investigar se membros da tribo Mafa também julgariam uma música como agradável se ela fosse consonante.

Cada participante ouvia excertos de música instrumental original de cada cultura (Mafa e ocidental) e também excertos das mesmas músicas modificadas espectralmente (ou seja, com seus sons originais alterados). A música Mafa foi obtida de rituais em que se tocam flautas originais da região. Já a música ocidental foi representada por uma do tipo dançante.

Menos agradável

Os resultados mostraram que ambos os grupos de participantes (Mafa e ocidentais) julgaram a música dissonante (modificada espectralmente para tornar-se desarmônica) como menos agradável que as músicas originais, de ambas as culturas. “É provável que a dissonância sensorial produzida pela manipulação espectral influencie universalmente a percepção do quão agradável é uma música”, escreveram os pesquisadores.

Assim, o estudo representa mais um passo na compreensão dos aspectos universais, imunes às influências culturais que nos fazem gostar ou não de uma música e automaticamente reconhecê-la como alegre ou triste.

Os achados fomentam o debate da compreensão da música como ‘linguagem’ – ou seja, como um traço universal humano em contraposição a uma invenção cultural –, fornecendo pistas dos aspectos inatos e dos fundamentos biológicos da música.

Izabela Mocaiber e Eliane Volchan
Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho,
Universidade Federal do Rio de Janeiro

Letícia de Oliveira e Mirtes Garcia Pereira
Departamento de Fisiologia e Farmacologia,
Universidade Federal Fluminense

Matéria publicada na revista Ciência Hoje, edição junho/09

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Luiz Gonzaga - 50 Anos de Chão - Biografia por João Máximo

Há mais de vinte anos saia a caixa de LPs “50 Anos de Chão”, seleção dos maiores clássicos do Rei do Baião e sucesso de vendas até hoje. Em época de festas juninas, leia o perfil biográfico que João Máximo criou naquela ocasião.

Não foram apenas cinquenta anos de chão, foram também cinquenta anos de céu. Com a sanfona de oito baixos e a voz soando a sertão, o cidadão pernambucano Luiz Gonzaga do Nascimento - Lula para os de casa, Luí para outros, Gonzagão para diferençar do filho também famoso, Luiz Gonzaga para o mundo - criou uma obra poético-musical única, inspirada tanto na sua vivência de sertanejo duro e sofrido como nos arrebatamentos românticos de homem sensível que ele decerto foi. Se cantou as terras secas e tristes cá de baixo, terras que seus pés de moço um dia pisaram…

Quando oiei a terra ardendo

Qual fogueira de São João

Eu preguntei a Deus do céu:

“Ai, por que tamanha judiação?”

Cantou também as imensidões iluminadas lá de cima…

Olha pro céu, meu amor,

Vê como ele está lindo

Olha pr’aquele balão multicor

Como no céu vai sumindo.

E se cantou o orgulho ferido de caboclo que o Sul quis ajudar…

Mas, doutor, uma esmola

A um homem que é são

Ou lhe mata de vergonha

Ou vicia o cidadão

…cantou também lirismos singelos e nostálgicos…

Se a gente alembra só por lembrá

O amor que a gente um dia perdeu

Saudade inté que assim é bom

Um cantador de talento raro cujas cantigas não falavam apenas de animadas festas nordestinas, mais tarde conhecidas como forrós, nem só dos amores perdidos em arraiais juninos, mas também das tristezas e injustiças sociais de sua terra, mais Brasil que sertão.

Esta não é a primeira vez que nos atrevemos a comparar Luiz Gonzaga a um quixotesco cantador que - com seus baiões, xotes, toadas, xaxados, côcos e xeréns - levou a árida realidade do Nordeste para um Sul que, na época, respirava os perfumados e tecnicoloridos sonhos musicais que Hollywood nos mandava a bordo da Política da Boa Vizinhança. Um cantador, acima de tudo, ousado.

“Sozinho, como um Quixote de chapéu de couro - escrevemos no dia de sua morte - ousou furar a onda da música norte-americana que invadiu o Brasil, na década de 40, para mostrar ao país como se dançava o baião ou como se fazia um forró. Foi grande o bastante para transformar a lição em tradição. E mais: ensinou ao brasileiro o caminho da redescoberta de toda uma cultura nordestina, em baixa desde que os Turunas da

Mauricéia saíram de moda em fins dos anos vinte. Fez tudo isso com grande personalidade e enorme talento”.

Para explicar melhor essa breve eulogia em forma de pensata, lembremos que os Turunas da Mauricéia foram dos muitos grupos nordestinos que, na década de vinte, invadiram o Sul do Brasil com sua música. Bem antes deles, já fazia sucesso na velha Capital da República um caboclo de nome poético e versos pernósticos que a primeira-dama do país, Nair de Teffé, levara para cantar e tocar num recital no Catete: Catulo da Paixão Cearense. Um atrevimento tal que Ruy Barbosa, o principal adversário do presidente, marechal Hermes da Fonseca, proferira indignado discurso no Senado. Imaginem! Em vez de obras de Wagner e Chopin, ouviam-se em palácio… o corta-jaca e as modinhas de Catulo!

A música popular - sobretudo a regional - seria, por muito tempo, alvo de semelhantes preconceitos no principal centro cultural do país. Catulo, para ser aceito, teve de copidescar seus versos, urbanizá-los, afiná-los pela estética preciosística dos modinheiros do começo do século.

Transformou-se num sertanejo vestido a rigor. Já os grupos do tipo Turunas da Mauricéia, estes não foram aceitos nunca, a não ser pelas camadas mais populares. Enfeitaram os carnavais cariocas com seus ritmos, fizeram de “Pinião” a música mais cantada na folia de 1928, influenciaram jovens cariocas como Pixinguinha (que chegou a desfilar num bloco vestido de cangaceiro) e Almirante (fundador e líder do Bando de Tangarás, organizado para cantar modas de viola, desafios, cocos, cateretês, emboladas), mas na verdade nenhum deles, grupos nordestinos, obteve as bênçãos das elites intelectuais, palacianas ou não.

Com a eclosão do samba no fim da década - em especial a partir do surgimento dos bambas do Estácio, de gênios do morro como Cartola, de artistas do rádio como Ary Barroso, Lamartine Babo, João de Barro e Noel Rosa - a música nordestina entrou em longo e absoluto recesso. Pior que isso, passou a ser considerada de mau gosto. Em especial para uma crítica acadêmica (a mesma que hoje classifica de brega o popular vigente em universo social diferente do seu), a música nordestina era coisa menor, sem importância. Podia-se aceitar uma dupla caipira ou sertaneja nos moldes de Jararaca & Ratinho ou Alvarenga & Ranchinho. Mas só pelas piadas, pela graça, nunca pela música (pouco se davam conta, por exemplo, de que Ratinho era músico excepcional e que Ranchinho, se se levasse a sério, poderia ter sido ótimo letrista).

Em 1940, com menos de cinco anos de existência, a PRE-8, Rádio Nacional do Rio de Janeiro, começaria a mudar esse quadro. Meio sem querer, é verdade, como se escrevendo certo por tortas linhas. A guerra já começara na Europa. Tendo em relação a ela uma posição de início ambígua, o presidente Getúlio Vargas confiava cada vez mais no projeto de seu colaborador Lourival Fontes: usar o rádio para, unindo culturalmente o país, uni-lo também politicamente. Em torno do próprio Vargas, claro. Pressionado a entrar na guerra, do lado que não era bem o de sua simpatia, o presidente viu a cultura do seu país - dentro dela a música popular - navegar por dois mares distintos: a Política da Boa Vizinhança, que os Estados Unidos nos mandavam na forma de jazz, filmes, big bands, Bing Crosby, suíngues, Frank Sinatra, your hit parade, tudo fazendo da música americana o modelo a seguir e influenciando maciçamente os compositores e intérpretes brasileiros; e o projeto da PRE-8 que, redescobrindo o Brasil para depois uni-lo culturalmente, tirava de limbos distantes o regionalismo musical do Norte e do Sul e reagia, meio sem querer, à Política da Boa Vizinhança. É neste ponto que entra em cena o nosso Quixote.

Luiz Gonzaga do Nascimento nasceu numa fazenda de Exu, Pernambuco, em 13 de dezembro de 1912. Aprendeu a tocar vendo e ouvindo o pai, o sanfoneiro Januário, animar bailes nos sábados da cidade e consertar foles, harmônicos, pés-de-bode, ou de que outra forma se chamava lá o acordeom.

- Ficava por ali, desasnando - lembraria ele. - Na igreja de São João Batista, perto de 16 de junho, juntavam-se os tocadores do lugar. Sua música atraía o pessoal para as festas religiosas. Chegada essa época, eu ia pra lá, puxava assunto com o tocador, pedia pra experimentar o instrumento, a zabumba, a caixa, o pífano, a sanfona. Fui aprendendo.

Por obra do acaso (e do amor) o jovem Lula logo emigrou para o Sul. Tinha dezoito anos quando se apaixonou por Nazarena, moça endinheirada do lugar. O pai dela, um certo Raimundo Deolindo, deixou claro, e fez questão de espalhar por toda Exu, que não a queria ver de namoro com aquele “neguinho sem futuro”. Ao saber disso, Lula tomou coragem (ou melhor, uma talagada de cana) e foi tirar satisfações com o pai da moça na feira de domingo, bem diante de todo o povo. Raimundo queixou-se à dona Santana, mãe de Lula: “Outro desrespeito desse, minha senhora, pode acabar em sangue”, ameaçou. Dona Santana, mais temerosa que zangada, não respeitou os dezoito anos do filho e deu-lhe uma surra. Humilhado e ofendido, o rapaz vendeu a sanfona, arrumou a trouxa e partiu.

A primeira escala foi Fortaleza, onde Lula entrou para o Exército e tornou-se cabo corneteiro. Viajou muito. Andou por São Paulo, fez biscates, comprou sanfona nova, até que desembarcou no Rio de Janeiro disposto a ganhar a vida com música. Seu primeiro emprego na cidade foi no Mangue, zona de meretrício que, na época, ao lado de casas de quinta categoria, mantinha botequins iluminados, de razoável aparência,

com arrasta-pés vespertinos e música ao vivo. Seu repertório, então, era composto de tangos, boleros, valsas, fox trors. Uma noite, depois de ouvi-lo, um estudante pernambucano de passagem disse-lhe:

- Você toca muito bem, seu moço. Mas por que não ataca umas coisinhas lá da nossa terra pra matar a saudade. Deixa o tango pra lá. Olha, da próxima vez que a gente vier aqui, se você não tocar umas músicas nordestinas, não vai ter dinheiro no seu pires.

Pensando em tudo aquilo, especialmente no dinheiro no pires, compôs dois chamegos, “Pé de Serra” e “Vira e Mexe”. Consciente de que o rádio era o principal veículo para a música naquele 1941, inscreveu-se no programa de calouros de Ary Barroso, solou o “Vira e Mexe”, ganhou o primeiro prêmio e, não muito depois, foi contratado pela Nacional.

A famosa emissora realmente escreveu certo por tortas linhas. Tinha em seu cast - misturando a proposta getulista à da Boa Vizinhaça, numa polivalência cultural realmente impressionante - vários tipos de orquestra: sinfônica, de música brasileira, de tangos, de danças da moda, de ritmos caribenhos. E vários tipos de intérpretes: cantores de opereta, de baladas francesas, de fox trot, de bolero, de canções do Oeste americano vertidas para o português, mas também de samba, de choro e de toda sorte de gêneros regionalistas, o Pedro Raimundo das rancheiras dos Pampas, a Stelinha Egg do folclore central, as duplas caipiras de sotaque mineiro ou paulista e, naturalmente, o som nordestino do moço Luiz Gonzaga.

Os preconceitos estavam longe de ser superados quando Lula e sua sanfona foram ouvidos pela primeira vez no auditório da PRE-8.

Compenetrado no papel de representante da nordestinidade, ele tratou de vestir-se a caráter, alpercatas de couro, roupas de boiadeiro, chapéu de cangaço. Afinal, se Pedro Raymundo entrava no palco de bombachas para representar o Sul, se Ruy Rey trajava-se de rumbeiro e se Bob Nelson era caubói estilizado (enfeitado de revólveres, cartucheiras e tudo mais, para se transformar num Roy Rogers tupiniquim), por que não ele, Gonzaga, se vestindo à maneira do sertão? Floriano Faissal, diretor artístico da Nacional, protestou em nome do “bom gosto”:

- Enquanto eu mandar nesta rádio, não permitirei que você apareça diante de nosso público vestido de bandido de Lampião.

É evidente que Faissal acabaria mudando de idéia, mas não sem antes obrigar Gonzaga a cantar, no maior desconforto, de smoking.

Contra a vontade, e por motivos diferentes dos de Catulo, converteu-se num sertanejo vestido a rigor.

Depois, vieram o sucesso, a glória, a força do talento derrubando preconceitos e reabrindo as portas do meio musical para o esquecido Nordeste. Em 1950, o baião já era tão ouvido no rádio quanto o samba, o bolero e os ritmos estrangeiros da moda. Muitos chegavam a pensar que aquela “nova dança” tinha sido inventada por Luiz Gonzaga e seus dois parceiros, Humberto Teixeira e Zédantas (na verdade, o baião, cujo nome deriva de baiano, já era conhecido em fins do século passado, e Januário deve tê-lo tocado em seu fole).

Humberto Teixeira e Zédantas nunca foram muito amigos. Gonzaga era o único elo entre eles, Teixeira, que apareceu primeiro, era advogado. Dantas, mais moço cinco anos, era médico. Os dois se interessavam por política, o primeiro elegendo-se deputado pelo partido de Adhemar de Barros e o outro orgulhando-se de ser “apenas um anônimo sertanista”. Teixeira tinha uma ambição: universalizar a música nordestina, o que tantou fazer através da lei que levou o seu nome. Dantas preferia cantar as coisas do agreste. Foi o próprio Luiz Gonzaga quem melhor estabeleceu as diferenças entre os dois:

- Humberto era mais mesclado com a cidade, com o asfalto. E Zédantas veio do sertão bravo. Eu costumava dizer que podia sentir o cheiro de bode na pessoa dele.

Com Humberto Teixeira, Gonzaga fez “No Meu Pé de Serra”, “Baião” (Eu vou mostrar pra você como se dança o baião…”), “Paraíba”,

“Respeita Januário”, “Juazeiro”, “Xandusinha”, “Estreda de Canindé”, “Qui Nem Jiló”, “Assum Preto” e a obra-prima dos dois, “Asa Branca”. Com Zédantas, fez “Vem Morena”, “Cintura Fina”, “Forró de Mané Vito”, “13 de Dezembro”, “Sabiá”, “Riacho do Navio”, “Imbalança”, “ABC do Sertão”, “São João na Roça”, “Noites Brasileiras”, “A Dança da Moda”, “O Xote das Meninas”, “A Volta da Asa Branca” e “Vozes da Seca”.

Durante todo esse tempo, os olhos atentos de Luiz Gonzaga viram muita coisa acontecer: sua música saindo e voltando ciclicamente à moda, “Asa Branca” esquecida e depois convertida em hino, jovens talentos surgindo (a geração de Caetano, Gil, Alceu, Moraes, baianos e pernambucanos novos mirando-se nele para reabilitar a nordestinidade e reinventá-la mais adiante). Incluía-se na mesma geração seu próprio filho, Luiz Gonzaga Jr. Algo renegado em menino (nasceu no morro de São Carlos, foi criado por amigos da mãe e só aos 16 anos se aproximou do velho), mas que logo cresceria para se escalar no primeiro time da música popular e acabar se unindo ao pai entre as estrelas de uma mesma constelação, Gonzaguinha um, Gonzagão outro.

Nesse meio século, o Gonzaga pai jamais perdeu o prestígio. Teve praticamente uma única gravadora, a RCA Victor, hoje BMG, e nela perpetuou mais de mil canções, suas ou de outros. Pode ter saído do palco por momentos, mas perder o prestígio, nunca.

- Sim, aí pelos anos sessenta, achei melhor me afastar - contaria ele. - A garotada estava crescendo muito. Era a época das guitarras, dos cabeludos. O rádio ia virando coisa do passado. E a imagem que a televisão queria mostrar ao seu público era de coisa mais sofisticada, nunca de um cangaceiro de chapéu esquisito, empunhando uma sanfona.

Foi mas voltou logo. Para compor, tocar e cantar o quanto a saúde lhe permitiu. Andou alternando a música com atividades outras, como a de apaziguador de briga entre famílias rivais do sertão pernambucano (selou-lhes a paz tocando para elas em praça pública), visitas nostálgicas ou diplomáticas a Exu e um namoro com a política que não deu em casamento. Chegou a pensar em seguir as pegadas do parceiro Humberto, candidatando-se a deputado federal pelo PDS.

- Mas vi que entrar na política com aquela idade (70 anos) era a mesma coisa que velho se casando com moça nova.

Ficou com a sanfona de oito baixos e a voz soando a sertão. Sua música - que acabou triunfando sobre os altos e baixos das novidades do momento - continuou sendo o que sempre foi: autêntica, rica, poderosa, de espírito agreste e cheiro de terra. Uma música difícil de descrever, como acontece com as melhores artes populares, e de cuja grandeza o próprio Luiz Gonzaga parecia não ter muita consciência.

Disse ele numa entrevista de 1971, quando mais uma vez o Brasil o redescobria:

- É melhor vocês falarem de mim, porque eu mesmo não sei o que sou, não sei por que falam de mim. Eu mesmo não entendo nada, eu vou levando. Pra mim tanto faz. Que é bacana, é… Mas deixa o povo falar.

Sanfona e voz silenciaram para sempre em 2 de agosto de 1989, em Recife, onde o coração do velho cantador, minado por seis meses de doença (a uma osteoporose seguiram-se vários tipos de infecção e uma pneumonia fatal), parou por volta das cinco e meia da manhã. Seu corpo, embalsamado, foi velado na capital, Juazeiro do Norte e na Exu natal, onde o sepultaram no fim da tarde.

Gonzaga morreu quatro anos depois de tocar em Paris e dois depois de ganhar o Prêmio Shell de Música Popular, o fole de “mau gosto” fazendo-se ouvir entre as paredes nobres do Teatro Municipal. Morreu seis anos depois, enfim, daquele breve namoro com a política: “Serei um deputado feliz - disse ele na ocasião - se ajudar o Brasil a ter consciência de seu sertão”. Como se sua música não o tivesse feito.

(Extraído do livro contido na caixa de discos Luiz Gonzaga - 50 anos de Chão)

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