Irajá e Celso: Retomando nosso espaço de debates depois de merecidas férias. Resolvemos iniciar o ano republicando o texto de Vera de Laurentiis, que já havia aparecido, no final de novembro em forma de comentário à nossa primeira coluna. Com isso, Vera passa a integrar oficialmente o time de “bate-papistas”.
Vera: Olá, Irajá e Celso, desculpem a intromissão na conversa, mas, achei essa discussão muito apropriada e, embora não seja do ramo, “como pessoa comum” também me incomoda ter que agüentar todo e qualquer tipo de diluição cultural em respeito solene à democratização da informação e da cultura. Os tais versinhos dor de corno e outras tantas egotrips típicas da cultura do narcisismo; paradas de sucesso, como bem disse Júlio Medaglia, “sem motivação cultural, musical, sociopolítica, etc.”. Ao mesmo tempo, temo recair sobre o velho e também já datado dilema entre arte /entretenimento; erudito / popular, já de antemão sabendo que não há saídas para ele, “só ruas, viadutos, avenidas…”, parafraseando Leminsky.

Óbvio que todos têm o direito de se expressar, escrever seus versinhos, colocá-los em seus bloguinhos ou bloquinhos de anotação, decantar dores e alegrias em seus roquinhos - até porque, muito de nossos melhores beats surgiram de estradas, garagens, mangues… Mas, permanecer de bico calado, inertes perante o fluxo infinito de sons e imagens do mundo contemporâneo… como o Celso às vezes diz, que saudades da época em que se atiravam ovos e tomates, e as vaias eram permitidas… VIVAVAIA… ! disse Augusto de Campos… não é? Ou será que teremos que engrossar o caldo da platéia sorridente, aplaudindo, de pé, emocionados, tudo que se nos apresenta como objeto de consumo, de novo o “coro dos contentes”?
Por essas e outras respeito medalhões como o Júlio, ou Tinhorão, que, com sua braveza, nos aliviam da imposição subliminar de um “democratismo” tirânico, e nos devolvem a capacidade de repúdio. E, cada vez mais – e isso é absolutamente pessoal - quando não me encanto senão com algum canto kraô ou com alguma voz vinda dos confins do planeta, não é o exótico que chama, mas o estranho; ou quando busco presentear meus olhos com alguma edição bem feita de Rembrandt, esquecendo, momentaneamente, meu voto de amor e fé a Caetano, tropicalistas & cia, Júlio Medaglia, inclusive, - que vieram entre outras coisas arrebentar, canibalizar as barreiras entre raízes / antenas, popular / erudito, os sons guturais e a eletricidade das guitarras -, não é em nome de purismo, elitismo ou qualquer outro ismo; é pura sede de sons, imagens que atravessem meu corpo desorganizando-o desde o umbigo, em ritual iniciático, e me arranquem de meu comportado torpor e cegueira contemporânea – Saramago que o diga, não é?
Desobstruir, deixar penetrar o silêncio, o poético, aquilo que se vislumbra quando se deixa um andar inteiro da bienal completamente vazio (vazio que, no meu entender, não discute apenas a crise da instituição, mas da arte); ou aquilo com que - no início do século passado - os cubistas se deleitaram no encontro com a arte e as máscaras africanas. Enfim, como disse o Celso, dá pano pra manga esse tema. Até.
Vera de Laurentiis
Oi, Ana, que bom que você está gostando! Como deu pra ver, a gente não entra todo dia, né?
Demorei para ver seu comentário.
Enfim, obrigado. Abraços.
eai pessoal gostei de seus comentarios porisso entro todo santo dia para ver fassam contato pelo meu e-mail analuisateste beijos