Tem Lugar Pra Todo Mundo?

Estava eu ali, conversando com o compositor Chico Saraiva [http://www.myspace.com/chicosaraiva]. Eu sou um boquirroto, um tagarela, coitado do Chico, quando menos esperava se viu às voltas com um discurso inflamado contra a Tropicália, by me. Já não consigo reproduzir, de memória, o diálogo, mas a certa altura lembro que o Chico asseverou: “tem lugar pra todo mundo”, ou, “no mundo tem todo tipo de música”. Resolvi escrever, então, pra dizer que não concordo. Que, sim, acho que deveria ter lugar pra todo mundo, mas que no Brasil, terra de monopólios desde a colonização, quando uma onda surge, as coisas todas outras, no fim das contas, submergem.

Querem ver? Acabo de ler Noites Tropicais [http://livrosgratis.sites.uol.com.br/artes/noitestropicais.html] do Nelson Motta e, lá, ele dá conta de contar como a onda de música tecno-sertaneja no início da era Collor, soterrou as bandas de Rock BR dos anos 80. O que o Nelson Motta esquece de dizer é que o rock BR, que ele adora, soterrou toda e qualquer manifestação que não tivesse baixo, guitarra e bateria.

Em cascata, penso noutro livro de leitura recente, em que o Júlio Medaglia [http://www.submarino.com.br/produto/1/45450/?] lamenta a ascensão do Rock BR como a AIDS da música popular: “Um país que possuía uma das mais ricas e inventivas culturas populares deste planeta, ficou reduzido a um imenso e imundo pára-lamas de sucessos, através de um rockinho tupiniquim que nada mais é que um subproduto desse vasto detrito que é o rock internacional de hoje”. Se continuarmos até o Tinhorão [http://acervos.ims.uol.com.br/php/level.php?lang=pt&component=38&item=7], aí o Tom Jobim já vira “agente do imperialismo ianque”.

Críticos são paranóicos por natureza? Pode ser. Mas difícil de comprovar. Coisa mais possível é notar em Tinhorões, Mottas e Medaglias, um exercício da crítica a serviço de suas próprias crenças. O que num país onde o monopólio é a regra, cai muito bem: é útil - para o grupo que almeja o poder, ou que o perdeu há pouco tempo!

No início era o pau-brasil, depois a cana, em seguida, o café. A próxima será a vez do bio-combustível? O Brasil é país de monopólios. Quando a Globo perde audiência, imita o SBT. E vice-versa. Contanto que ninguém seja o vice. Num lugar onde só o primeiro cabe, inevitável: monopólio. Pensamento único. Cada macaco no seu galho, mas um de cada vez. Em épocas de funk: pagode, pega a fila.

Aí me dirão alguns, a internet acabou com isso. E, desculpem, discordo de novo. Mas, esta parte do discurso, fica para alguma outra hora.

Por Irajá Menezes

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Um comentário para “Tem Lugar Pra Todo Mundo?”

#1
Ricardo Makaron 29/03/2009 às 11:50 pm

retificando:

Em um pais que se investe mais em futebol e carnaval do que em educação e saúde é de se esperar outra coisa?? Como já disse o Rojer…

Agente somos inuteis…

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