Primeiro contrato assinado pelos Beatles vai a leilão em Setembro

Londres, 12 Ago (Lusa) - O primeiro contrato assinado pelos Beatles com aquele que se tornaria o seu agente, Brian Epstein, para a gravação do seu primeiro disco, será leiloado a 04 de Setembro em Londres.
Trata-se da cópia do contrato respeitante a Epstein, que esperou seis meses para o assinar, até reunir as condições estipuladas pelo documento.
Epstein trabalhou incansavelmente para cumprir a sua parte do contrato até que, finalmente seguro de que a discográfica EMI editaria “Love me do”, a 01 de Outubro de 1962 o assinou.
O contrato está assinado por John Winston Lennon, George Harrison, James Paul McCartney e Richard Starkey (conhecido como Ringo Starr), e também pelos pais de Harrison e McCartney que deste modo expressam o seu consentimento, já que os respectivos filhos não tinham ainda 21 anos.
No documento, Epstein compromete-se a fazer a necessária publicidade do grupo e a aconselhar os músicos em questões de maquilhagem, acessórios e apresentação, em troca de 25% dos lucros da banda sempre que ultrapassassem as 200 libras semanais.
Se os bilhetes não chegassem às 100 libras semanais, Epstein aceitava cobrar apenas 15%, e se ganhassem entre as 100 e as 200 libras receberia 20%, especifica o contrato, que se espera atingir no leilão os 318.000 euros.
No mesmo leilão, que se realizaará na Idea Generation Gallery, será levado a praça o piano em que os quatro de Liverpool gravaram o chamado “álbum branco” e a canção “Hey Jude”, que completa este ano 40 anos.
O piano, em que também tocaram David Bowie, os Queen, Elton John e Harry Nilson, poderá atingir os 509.000 euros.
Música que Phelps ouve na beira da piscina é doping?

Pequim - A cena é conhecida. E virou marca. Phelps remove os fones de ouvidos dois minutos antes de cada prova começar. Fez isso diversas vezes nos Jogos Olímpicos, nas eliminatórias, semifinais e finais das provas no ginásio Cubo d’Água.
Ganhou oito ouros. Quebrou recordes. Virou mito. Depois de 40 exames antidopings, antes e durante as competições, há quem acredite que o aditivo que move o corpanzil com tempos agora memoráveis nas piscinas sai dos dois pequenos alto falantes que entram pelas grandes orelhas e ocupam o cérebro.
O doping musical do garoto branco de Baltimore, 23 anos, é o negro rap. Ouvir música aumenta a capacidade de oxigênio no sangue e melhora a performance do atleta, segundo o Instituto Max Planck para Cognição Humana e Ciências do Cérebro, em Leipizig, na Alemanha. E isso é ilegal, atestam alguns especialistas.
Quem defende a tese é o doutor Alexei Koudinov, editor do Doping Journal Web site, baseado em Israel, que não tem dúvidas: “ouvir música com fones de ouvido antes do início de uma competição é método inválido e os ouros e recordes de Michael Phelps em Pequim são falsos. As medalhas deveriam ir para outros competidores”, escreveu.
Koudinov utiliza várias análises, entre as quais a do doutor Stefan Koelsch, do instituto alemão, para tentar enquadrar o uso da música como doping. Segundos os estudos, que divulgam como o corpo reage à música, os sons podem ter influências sobre a taxa de respiração, a qual altera os níveis de oxigênio no sangue. O relatório reporta mudanças claras na taxa de respiração durante a audição de músicas.
O artigo cita ainda pesquisas da Universidade de Pávia, na Itália, realizadas com crianças, que concluem que a retirada de um estímulo musical momentos antes de uma prova de natação induz aos efeitos reportados por Koelsch.
A pesquisa mostra que a música causa melhor saturação de hemoglobina com o parâmetro de oxigênio, comparado com iniciativas sem música, indicando incremento na taxa de transferência de oxigênio (método considerado proibido em competições de acordo com o Código Mundial Anti-Doping, artigo M1, atualizado em 2008).
A utilização da música minutos antes de uma competição ainda não foi avaliada pela Agência Mundial Anti-Doping (Wada).
Enquanto isso, Phelps dá play no seu ipod e recebe adrenalina na beira da piscina, ao som, entre outros, do rapper norte-americano Lil Wayne, que carrega tatuagens pelo corpo inteiro e tem cara de bad boy: ‘I’m me, so Who are you? You’re not me; You’re not me and I know that ain’t fair, but I don’t care’ (Eu sou eu, então quem é você? Você não é eu; Você não é eu e eu sei que não é justo, mas eu não ligo).
Novo imortal da ABL tem obra voltada para a música

O jornalista Luiz Paulo Horta, escolhido hoje para ocupar a cadeira que era da escritora Zélia Gattai na Academia Brasileira de Letras (ABL), tem sua obra voltada para a música. Carioca nascido em 1943, estudou piano e teoria musical nos Seminários de Música Pro Arte e em 1970 passou a trabalhar como crítico do “Jornal do Brasil”. De 85 a 90, assinou a seção musical do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Na década de 90, iniciou o trabalho como crítico musical do jornal “O Globo”, onde permanece até hoje. Horta é membro da Academia Brasileira de Música.
Conforme divulgado no site da ABL, em 1983 o jornalista publicou seu primeiro livro, “Caderno de Música”, e em seguida editou o “Dicionário de Música Zahar”. Escreveu também “Guia da Música Clássica em CD”, “Sete Noites com os Clássicos”, “Villa-Lobos, uma Introdução”, e organizou, com Luiz Paulo Sampaio, a edição brasileira do “Dicionário Grove de Música”.
Horta foi eleito com 23 votos. O segundo colocado foi o escritor Ziraldo, com 11 votos. Foram registrados ainda 4 votos nulos e um em branco. Trinta acadêmicos estiveram presentes. Os demais votaram por carta.
A vaga foi inaugurada pelo escritor Machado de Assis, que escolheu como patrono José de Alencar. Jorge Amado ocupou a vaga por quatro décadas e sua mulher, Zélia, o substituiu por sete anos. Nas prévias informais, Horta já aparecia como favorito. Também estavam no páreo os escritores Antônio Torres, a historiadora Isabel Lustosa e o crítico literário Fábio Lucas.
Música de Mozart ajuda a curar doenças graves, dizem pesquisadores

…da Ansa, em Londres.
Especialistas do Instituto de Neurologia de Londres afirmam que a música de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) pode funcionar melhor que remédios tradicionais no tratamento de diversos males, até mesmo de doenças complexas como a epilepsia.
Segundo artigo publicado nesta quarta-feira (19) no jornal inglês “Independent”, os pesquisadores suspeitaram das qualidades terapêuticas da obra do compositor austríaco quando trataram um paciente de 46 anos que sofria de graves ataques epilépticos e não havia reagido bem a sete tipos de terapias (à base de remédios avançados), e nem mesmo a uma intervenção cirúrgica no cérebro.
Após uma acentuada e inexplicável melhora, os médicos descobriram que o paciente havia começado a escutar a música de Mozart durante cerca de 45 minutos por dia e que seu bem-estar vinha deste novo hábito.
A Universidade de Illinois (Estados Unidos) também relatou, após o caso do paciente inglês, uma situação parecida envolvendo uma criança portadora da síndrome de Lennox-Gastaut (variante rara da epilepsia).
Inteligência
Seguindo os indícios, os médicos descobriram que “doses” de Mozart aumentariam a capacidade matemática e visual, reduziriam o estresse e dores de artrite, além de produzir efeitos positivos no coração e em fetos, no caso de gravidez (estimulando o cérebro do bebê).
Em testes com ratos e carpas, verificou-se melhora no senso de orientação e humor (especialmente com as notas de Eine Kleine Nachtmusik).
A causa dos efeitos ainda não é tão clara, mas muitos especialistas afirmam que a zona do cérebro que recebe e processa a música é a mesma da percepção espacial, por exemplo. Os estímulos provocados pela complexa e refinada música de Mozart, sobretudo a sonata K448, teriam, portanto, um impacto benéfico na massa cinzenta, organizando e estimulando células nervosas precárias, em um processo comparável a impulsos elétricos.
Em testes com voluntários humanos, verificou-se que, ao escutar a sonata K448 para dois pianos, o quociente de inteligência do grupo cresceu entre oito e nove pontos. Sobre a exclusividade da música de Mozart, e não de outros compositores, os médicos arriscam que as composições do austríaco trazem uma peculiar técnica de construção musical, baseada em temas circulares com intervalos fixos e variações moduladas do motivo principal.
Enviado por Maurício Motta
Dorival não morreu… só atingiu a perfeição!

Dorival não morreu… só atingiu a perfeição! disse Gibson Bernardo, guitarrista de blues, jazz e rock em seu blog inguinoranssa.wordpress.com. Gibson lembrou, também, a famosa medida de tempo baiana: devagar, devagar quase parando, e Dorival Caymmi.
Ainda Caymmi
Segundo Caetano Veloso podemos creditar a Caymmi, por exemplo: a combinação reveladora de sutilezas impressionistas com rudeza, tal como se ouve nas ‘canções praieiras’. A previsão da bossa nova no casamento do coloquialismo natural com a sofisticação composicional, como perceptível nos sambas-canções dos anos 40 e 50. A mescla de canto operístico com intimidade. E ainda…
“A contribuição para a criação do autor-cantor (que em língua espanhola e italiana se chama de ‘cantautor’): Caymmi é o único que conheço que foi, ao mesmo tempo, o Gershwin e o Bing Crosby (ou Al Johlson), uma prefiguração do que seríamos os autores-cantores dos anos 60 em diante, Gilberto Gil, Bob Dylan, João Bosco… Há o caso dos bluesmen, como Robert Johnson, ou dos trovadores franceses, como George Brassens. Mas, sem entrar no mérito da qualidade artística intrínseca de nenhum deles, Caymmi foi algo que eles não foram: um autor como Cole Porter ou Ary Barroso, abrangente, variegado.
E foi o que nem Barroso nem Porter puderam ser: o melhor intérprete de suas próprias canções, sobretudo quando sozinho com seu violão. E aquela voz de Caymmi, aquela voz de caverna (que seus três filhos herdaram), voz de caverna marítima, como aquela que, ecoando o ronco das ondas, soa como um rugido de leão, na costa da ilha de Fernando de Noronha, Gruta Azul. A voz de Caymmi é uma Gruta Azul com cantos napolitanos de barqueiros dentro, barqueiros que pensam que enganam os turistas. Caymmi era uma rocha e um anjo. Demasiado material, demasiado espiritual. Caymmi é um núcleo do Brasil. Caymmi será o Mundo. Quem disse melhor sobre suas canções foi Arnaldo Antunes: Não parece coisa feita por gente.”
Enviado por Irajá Menezes
“Preguiça criadora” gerou o mais original compositor brasileiro
Perfeccionista sem esforço, Caymmi compunha “devagarinho” e “aos pedacinhos”
Carlos Rennó - Especial para a Folha de São Paulo
O que chama a atenção na obra de Dorival Caymmi, se comparada a de outros compositores brasileiros, é a sua relativamente pequena produção e o seu grande percentual de “standards”, isto é: de canções-modelo. Nesse aspecto, nem nosso maior compositor, Tom Jobim, o superou. À luz da informação estética, seria o mais original, pois o menos redundante. Qualidade muita, quantidade pouca. Foram pouco mais de cem canções em cerca de 60 anos de atividade como compositor. Pudera. Uma (”João Valentão”) levou nove para ser acabada, outra (”Saudade da Bahia”) passou 12 na gaveta.
Perfeccionista sem obsessão e sem esforço, Caymmi compunha “devagarinho” e “aos pedacinhos”, como chegou a dizer. A esse método correspondeu uma atitude de descompromisso com o mercado e comprometimento só com o público. Caymmi raramente compôs por encomenda e sempre cantou menos pelas circunstanciais avaliações comerciais de sua arte do que pela sua disposição. Quis e ganhou o bastante para poder curtir o “dolce far niente” de uma “vida de artista” (ou o ócio do ofício…). Aliás, foi para tirá-lo da vadiagem que seu pai, o funcionário público Durval, neto de italiano, lhe arranjou seu primeiro emprego no jornal “O Imparcial”, de Salvador, como auxiliar de escritório, aos 16. Mas a convivência com a música começava já em casa -onde o pai tocava piano, violão e bandolim, e a mãe cantava- e prosseguia na rua, nos festejos do povo baiano. Desse modo, da primeira composição, uma toada sentimental intitulada “No Sertão”, de 1930, às primeiras apresentações em rádio, em 1935, foi um passo. O salto ele daria em 1939, já no Rio e com uma coleção de canções sobre a Bahia na bagagem.
Os trejeitos de Carmen
Com a sua “O que É que a Baiana Tem?” na voz de Carmen Miranda, Caymmi entrou em cena para não mais sair. A associação, se foi determinante para a projeção nacional dele, também o foi para a construção da imagem internacional dela -Caymmi lhe ensinou os trejeitos que se tornaram inseparáveis da sua interpretação. Em 40, saía o seu primeiro disco, com “O que É que a Baiana Tem?” e “A Preta do Acarajé”, em duo com Carmen. Data do mesmo ano, e com outra cantora, Stella Maris, o início de uma parceria que duraria de fato até que a morte os separasse, e da qual resultaria a outra parte da sua herança musical: os filhos Nana, Dori e Danilo Caymmi. Costuma-se dividir a obra de Caymmi em duas fases/faces principais. Na primeira, tendo como referente uma Bahia pré-industrial e idealizada, sobressaem as canções praieiras -obras-primas como “O Mar” e “O Vento”. A segunda, “carioca” e urbana, põe em relevo os sambas-canções em cujas harmonias se viu um prenúncio da bossa nova -jóias tipo “Marina”, “Só Louco”, “Nem Eu” etc. Há quem acrescente uma terceira, definida pelo predomínio de canções com forte acento afro-religioso. É quando intensifica sua relação com o candomblé, assumindo obrigações sócio-administrativas como Obá de Xangô do terreiro Axé Ôpô Afonjá, em Salvador, em 1969. Ele e seus grandes amigos Jorge Amado e Carybé. Na verdade, todas constituem expressões distintas de uma mesma e sempre presente baianidade. Até a chamada fase carioca. Nesta, os casos -e descasos- amorosos são tratados com uma doçura que quase não se nota num compositor do Rio. Quanto às dissonâncias harmônicas, elas já estavam lá, no violão do período marinho-soteropolitano; à época, diziam que ele tocava errado: “Mas eu sempre achei que havia beleza fora do acorde perfeito”.
Um baiano no Rio
Caymmi viveu em Salvador só até os 24 anos, mas, como disse Vinicius de Moraes, “é difícil encontrar alguém mais baianamente dengoso que ele”. De fato, o Rio, onde chegou em 1938, foi a sua principal sede. No Rio, Caymmi fez as mais diversas amizades nos meios artístico e jornalístico. Da esquerda à direita; dos padrinhos de casamento Jorge Amado, que o chamava de irmão caçula, e Samuel Wainer, que o chamou para uma coluna sobre rádio no “Última Hora”, nos anos 50, a Carlos Lacerda. De Rubem Braga a Carlinhos Guinle, com quem, segundo outro amigo, Fernando Lobo, a parceria funcionava nessa base: Dorival entrava com a música, e Carlinhos, com o uísque…
Seu melhor intérprete
Foi gravado pelos maiores intérpretes da MPB, de Elis Regina e Gal, que lhe dedicou um álbum em 1976; de João Gilberto, que recriou três músicas suas em plena bossa nova, a Gil e Caetano. Nenhuma dessas gravações, contudo, se compara ao próprio Caymmi se interpretando. Ele próprio era convencido disso. Não porque fosse vaidoso -coisa que ele, naturalmente, era. Mas porque tinha plena consciência de si. Sua famosa e, segundo Amado, “criadora” preguiça inspirou a divulgação de histórias folclóricas e a criação de anedotas gozadas. Durante um tempo, se contou muito esta: existiriam três ritmos na Bahia: o devagar, o muito devagar e o Caymmi. Eu mesmo tive uma prova de sua lentidão. Em 1994, eu coordenava a área de música do Museu da Imagem e do Som de SP e quis trazê-lo para um depoimento. Conversávamos muito, toda semana, por telefone, mas na hora de decidir vir, ele sempre dava uma desculpa. Numa dessas, chegou a me propor que eu ligasse para ele num dia para marcarmos então o dia em que eu ligaria de novo para marcarmos enfim o dia em que viria…
Carlos Rennó é letrista, produtor e jornalista.
Enviado por Irajá Menezes
A “Bananização” da Música

Rio de Janeiro - No fim do século 20, David Bowie previu que, no futuro, o comércio de música pela internet estaria nos computadores como a energia elétrica, o gás, o telefone e a TV paga estão nas casas e escritórios. O cliente teria uma assinatura e pagaria de acordo com o seu consumo. A música seria uma commodity, vendida a preço de banana. Tantos watts de eletricidade, tantos canais de tv, tantos quilos? litros? metros? bites? de música.
Hoje, além de um modelo de negócio em pleno florescimento em países onde prevalece a cultura de pagar pelo que se consome, a comercialização massificada e globalizada de música, legal e pirata, acabou com o que restava das antigas ilusões de importância, transcendência e glamour da música pop, que a indústria do disco desenvolveu - e sugou - à exaustão.
A vulgaridade se tornou um valor indispensável ao sucesso de massa. Os investimentos em promoção se tornaram muito maiores do que em criação e produção. Os melhores selos e gravadoras, criados por músicos, produtores e editores, terminaram em gigantescos conglomerados, dominados por advogados, financistas e marqueteiros.
A música, a melhor e a pior, se tornou irreversivelmente banal, como uma banana. O lado B, de bom, da bananização da música gravada, é a maior valorização da música ao vivo, quando se cria entre o artista e o público uma relação pessoal e intransferível, muito além do contato virtual e digital.
Há muitos anos, Caetano Veloso falava sobre fazer, ou não, músicas novas, e dizia que já havia música demais em toda parte. Imagine agora. Chico Buarque dizia detestar música ambiente porque, se é boa, distrai e atrapalha a conversa, e se é ruim, então para que tocar?
Mas, afinal, para que serve a música?
Nelson Motta - http://sintoniafina.uol.com.br/
Enviado por Celso Leal
Bossa sem João

Difícil visitar a exposição Bossa Na Oca e não notar a “pouca presença” de João Gilberto.
Consultado pelo site www.nightecia.com.br, um dos diretores da mostra, Marcello Dantas, explica: “Ele não deixa, nunca deixou ser biografado”.
“O João Gilberto optou por deixar a obra dele falar, e a pessoa dele desaparecer. É uma opção dele, não nossa”.
Dito assim, as manias do João voltam a ser a explicação de tudo!
Acontece que a megaexposição (e seu já famoso “alto grau de interatividade”), não está pautada exatamente pelas biografias dos artistas da Bossa Nova.
Apoiada em recursos tecnológicos de última geração, a Bossa na Oca oferece quatro filmes, seis jukeboxes com 60 canções, 30 vinis originais e até mesmo um show virtual para ajudar a contar a história do gênero musical que nasceu no Rio.
Na descrição do nightecia.com
“Logo na entrada da exposição, um fusca preto conversível de 1961 - o carro começou a ser fabricado no país em 1958 - dará as boas-vindas aos visitantes. O andar térreo do prédio contextualiza o surgimento da Bossa Nova, incluindo o período que precedeu o movimento.
Na seqüência, surgem obras de arte e outras referências daquela época, como cartazes de filmes, além de uma grande linha do tempo em uma bancada com 60 metros de extensão.
Com um repertório composto por canções famosas da Bossa, as janelas da Oca tornaram-se jukeboxes hi-tech, onde apenas com movimentos dos braços e mãos os visitantes escolhem e ouvem discos e músicas com direito a encartes e as capas dos álbuns.
Até o famoso calçadão carioca, feito com as pedras portuguesas formando ondas, ganhou uma réplica no subsolo do museu, juntamente com a areia - na verdade, pó de mármore - em um espaço de mais de 500 metros quadrados.”
Outro destaque da mostra, o show “holográfico” de nove minutos dos ícones da música Vinicius de Moraes, Tom Jobim, Elis Regina, Astrud Gilberto, Frank Sinatra, Ella Fitzgerald, Stan Getz, Johnny Alf e Hermeto Pascoal, apresenta a Garota de Ipanema. Sem o João!!!
Alguém me disse que em uma reportagem da TV Cultura comentaram que João Gilberto não autorizou o uso de seu nome. O cantor e compositor, no entanto, vai fazer quatro shows no Brasil em agosto, como parte do mesmo calendário de eventos para celebrar a Bossa Nova.
Resta saber se os ingressos vão estar na mesma faixa de preços dos de Caetano e Roberto Carlos… $2.100,00 por uma frisa no Municipal.
Enviado por Irajá Menezes
Brigas, nunca mais
A bossa nova nasceu a 10 de julho de 1958 com “Chega de Saudade”, por João Gilberto, diz Ruy Castro em caderno especial sobre o movimento na Folha de São Paulo

Ruy Castro
Não, a bossa nova não nasceu no apartamento de Nara Leão. A própria Nara nunca se cansou de dizer isso. E estava certa.
Imagine uma expressão musical tão complexa e sofisticada (que há 50 anos intriga e encanta estudiosos e leigos de cinco continentes) sendo criada por meia dúzia de aprendizes no apartamento de uma adolescente. Nara tinha 14 anos em 1956, quando eles começaram a se reunir no apartamento em que ela morava com seus pais, em Copacabana.
Nem Byron e Shelley podiam ser tão precoces. Por mais bronzeados, bonitos e talentosos, garotos como os violonistas Roberto Menescal, Oscar Castro Neves e Chico Feitosa, o letrista Ronaldo Bôscoli, o pianista Luiz Carlos Vinhas, o cantor Normando Santos, o flautista Bebeto Castilho e outros ainda teriam de esperar para produzir suas primeiras criações expressivas. Ou, como diz Carlos Lyra, que também fazia parte da turma, mas já tivera uma canção gravada por ninguém menos que Sylvinha Telles, “nem a Nara nasceu no apartamento da Nara”.
Vamos raciocinar. Se fosse possível identificar o endereço natal da bossa nova, seria possível também determinar quando ela veio ao mundo. Talvez por isso, as pessoas vivam querendo saber: “Mas, afinal, quando começou a bossa nova?”. Ninguém pergunta isso sobre o maxixe, o xaxado ou o chachachá. Da bossa nova, no entanto, exige-se o dia e a hora exatos do seu nascimento, com certidão passada em cartório.
Essas pessoas ficam surpresas ao ouvir que, provavelmente, a bossa nova não teve um começo e que a data de 10 de julho de 1958, quando João Gilberto gravou o single “Chega de Saudade”, no estúdio da Odeon, na Cinelândia, é, de certa forma, uma convenção, e o mais certo seria responder que, dependendo do ponto de vista, foram vários começos. Um deles teria sido o LP “Canção do Amor Demais”, de março daquele mesmo ano, em que Elizeth Cardoso cantava as canções de Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, mas apenas pelo violão de João Gilberto em duas faixas, uma delas a mesma “Chega de Saudade”. O violão era bossa nova, a cantora não era nem precisava.
Por que não antes?
Outro começo poderia ter sido em 1956, quando Tom e Vinicius formalizaram sua parceria numa mesa do bar Vilarino, na Esplanada do Castelo, e partiram para as canções do musical “Orfeu da Conceição”. Recuando um pouco, chegaríamos a 1953, quando Johnny Alf compôs “Rapaz de Bem” e começou a mostrá-la nas boates em que se apresentava no Leme. Ou a 1946, quando Dick Farney aplicou sua “voz de travesseiro” ao samba-canção “Copacabana”, de Braguinha e Alberto Ribeiro. E poder-se-ia voltar ainda mais no passado, a quase cem anos antes, porque boa parte da música popular no Brasil, desde Joaquim Callado, Chiquinha Gonzaga, Patápio Silva, Anacleto de Medeiros, Ernesto Nazareth, Donga, Pixinguinha, João da Baiana, Sinhô e seus seguidores, sempre foi “de bossa”.
Assim como não teve um começo, sua paternidade também não pode ser reduzida a um músico João Gilberto ou a uma parceria Tom e Vinicius, por mais seminais que tenham sido na sua gestação. Seria até uma injustiça para com dezenas ou centenas de profissionais, homens e mulheres que, nos pelo menos dez ou 12 anos anteriores a 1958, buscaram a modernização da música brasileira e chegaram a ela parcialmente, contribuindo com novos caminhos, estilos e achados ao mesmo tempo em que davam duro nas boates, rádios e gravadoras, trabalhando com os ritmos e gêneros mais “quadrados” para pagar o aluguel.
Os antecessores
Alguns desses foram os cantores Dick Farney, Lúcio Alves, Nora Ney, Dora Lopes, Gilberto Milfont, Mary Gonçalves, Doris Monteiro, Dolores Duran, Tito Madi, Geny Martins, Sylvinha Telles, Luiz Claudio, Maysa, Agostinho dos Santos e Miltinho; os conjuntos vocais Anjos do Inferno, Namorados da Lua, Os Cariocas, Garotos da Lua, os Quatro Ases e um Coringa, Os Namorados e o Trio Irakitan; os compositores e letristas José Maria de Abreu, Oscar Belandi, Janet de Almeida, Geraldo Jacques, Denis Brean, Valzinho, Newton Mendonça, Billy Blanco, Ismael Netto, Luiz Antonio, Antonio Maria e o próprio Jobim; os maestros e arranjadores Radamés Gnattali, Guerra Peixe, Lyrio Panicalli, Leo Peracchi, Lindolpho Gaya, Carlos Monteiro de Souza e Moacir Santos; e instrumentistas como os violonistas Garoto, Luiz Bonfá, Candinho, Neco, Waltel Branco e Nanai; os pianistas Vadico, Johnny Alf e Luizinho Eça; os saxofonistas Zé Bodega, Cipó, K-Ximbinho, Juarez Araújo, Jorginho, Casé e Paulo Moura; os trombonistas Astor, Nelsinho e Norato; os acordeonistas Donato (sim, só depois ele passaria para o piano) e Chiquinho; o contrabaixista (futuro organista) Ed Lincoln; o violinista Fafá Lemos; etc. Muitos outros poderiam ser citados em todas essas categorias, todos “bossa nova” à sua maneira, assim como, segundo Ronaldo Bôscoli, “Ary Barroso, Noel Rosa e Custodio Mesquita também foram “bossa nova” em sua época”.
Se hoje parece estabelecido que a bossa nova foi uma síntese elaborada por João Gilberto a partir de inúmeros pequenos avanços da música brasileira propostos por todos aqueles pioneiros, podemos concluir que, sem eles, não teria havido a bossa nova. Ou não teria havido a bossa nova como a conhecemos. Porque, com a efervescência musical, mesmo clandestina, do período 1945-1955, a bossa nova era inevitável. Aconteceria de qualquer maneira, com João Gilberto ou com qualquer um deles. E sempre seria uma “bossa nova”, embora não necessariamente a bossa nova de João Gilberto.
Nesse caso, ela se pareceria com o músico por meio de quem viesse. Se fosse por Johnny Alf, seria talvez mais jazzística; por João Donato, teria um acento caribenho; por Newton Mendonça, tenderia ao experimentalismo; por Jobim, ficaria mais próxima do samba-canção; e sabe-se lá como seria se tivesse vindo por um letrista, um conjunto vocal ou algum instrumentista que não de violão ou piano.
Na cadência do samba
Para mim, foi uma sorte que tenha vindo por João Gilberto, cuja formação se deu pelo samba. Donde, ao ouvir a “sua” bossa nova na batida do violão, entendida imediatamente por Jobim, que passou a compor em função dela, e por Milton Banana, que lhe seguiu a receita na bateria, ouvem-se também os ecos de Mario Reis, Carmen Miranda, Orlando Silva, Ciro Monteiro, Leo Vilar, Bororó, Assis Valente, Zé da Zilda, Haroldo Barbosa, Antonio Almeida, Wilson Batista, Geraldo Pereira, Dorival Caymmi, Lauro Maia, Marino Pinto, Herivelto Martins e outros cantores e compositores que ele admira, assim como toda uma ilustre linhagem de conjuntos vocais e músicos brasileiros “de bossa”, de qualquer época.
Então, ficamos combinados, e brigas, nunca mais: a bossa nova nasceu no dia 10 de julho de 1958, quando João Gilberto gravou “Chega de Saudade”. A não ser que se considere que o samba-choro “Chega de Saudade”, que Tom e Vinicius haviam composto um ano antes, estava destinado a ser um clássico da música brasileira, com ou sem a bossa nova. E que a primeira canção estritamente “bossa nova” revolucionária, mas talvez sem futuro comercial se não viesse na crista da nova música, foi “Desafinado”, de Tom e Newton Mendonça, que João Gilberto gravaria quatro meses depois, a 10 de novembro.
Mas não faria diferença: 2008 marcaria, de qualquer maneira, os “50 anos da bossa nova”.
Ruy Castro é autor de “Chega de Saudade - A História e as Histórias da Bossa Nova” (Companhia das Letras, 1990), “A Onda que se Ergueu no Mar - Novos Mergulhos na Bossa Nova” (Companhia das Letras, 1999) e “Rio Bossa Nova - Um Roteiro Lítero-Musical” (Casa da Palavra, 2006).
Folha de São Paulo - Caderno Especial - 10 de julho de 2008
Enviado por Irajá Menezes
Casa Villarino festeja 53 anos
…e comemora parceria de Tom e Vinícius, selada em suas mesas.
Elenco de Orfeu da Conceição será homenageado
“A Casa Villarino - onde, em 1956 Tom Jobim e Vinicius de Moraes firmaram a parceria em torno do projeto Orfeu da Conceição, peça de autoria do ‘poetinha’ - promove tripla comemoração no dia 01 de junho de 2006. Além do aniversário do bar - que há 53 anos reúne a nata da música, da literatura, do jornalismo, da política e da intelectualidade nacional - o Villarino vai festejar o encontro de Tom e Vinicius e o jubileu de ouro da peça Orfeu da Conceição, com as primeiras composições da dupla.
A comemoração pretende reunir os remanescentes da montagem original da peça, acontecida no teatro Municipal do Rio de Janeiro, em 1956. Além de Haroldo Costa, o primeiro Orfeu, o arquiteto Oscar Niemeyer (que assinou o cenário) deverá estar entre os convidados ao lado da veterana atriz Lea Garcia, que participou da primeira montagem da peça como Mira, do filme Orphée Noir, de Marcel Camus, em 1959, como Serafina, e da refilmagem brasileira de 1999, como a mãe de Maicol”.
Esta é uma das muitas notícias que a gente encontra em “www.jobim.com.br, o site do Grêmio Lítero-Musical dos Admiradores do Maestro Antonio Carlos Jobim.
Apesar da estranheza de artigos de 2006 ou 2002 continuarem figurando na página inicial, indício da ausência de atualizações, os manuscritos, rascunhos, partituras de composições inéditas, gravações exclusivas, entrevistas e imagens formam um acervo cuidadoso - imperdível - sobre, principalmente, a obra do maestro soberano e fazem valer uma visita.
Como quase tudo que envolve a memória do Tom, no site percebe-se logo a mão de Ana Lontra Jobim, esposa dedicada que vem, junto com Paulo Jobim, assumindo a tarefa de garantir a presença da obra daquele que, quase por unanimidade, é apontado como o autor mais importante da música popular brasileira. Já na seção Créditos somos apresentados a Luiz Roberto Oliveira, o criador e principal mantenedor do Clube do Tom. Carioca, engenheiro de formação, Luiz Roberto é produtor e arranjador musical desde os anos sessenta.
Nos 50 anos da Bossa Nova, http://www.jobim.com.br/ é parada obrigatória.