Dicas de Outside

Léo Muniz preparou, especialmente para o site, uma aula sobre a técnica do outside

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Podemos dizer que o “outside” é uma técnica que atrai bastante os improvisadores, pois proporciona uma condução melódica rica em tensões, timbres e uma idéia de total liberdade. Na verdade, fruto de bastante trabalho e estudo, essa liberdade vai exigir do improvisador total domínio técnico do instrumento e um profundo conhecimento harmônico.

Tudo começa com uma boa analise harmônica. Outside é sair da harmonia e para sair da harmonia precisamos conhecê-la muito bem. Praticar escalas e arpejos no instrumento também é de extrema importância.

Para não parecer um bicho-de-sete-cabeças e acostumarmos com o som dissonante, proponho um estudo aonde essas dissonâncias virão de forma gradual. Como exemplo, usaremos uma cadência bastante comum na música tonal: II - V - I. Pensando no campo harmônico de Dó maior: Dm7 – G7 – Cmaj7. Considerando um compasso de Dm7, um compasso de G7 e dois compassos de Cmaj7, teremos um pequeno chorus de quatro compassos.

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  1. Estudar os arpejos dos acordes e em seguida improvisar usando somente eles, obedecendo ao tempo de cada um. Eles servirão como uma espécie de “esqueleto” do improviso.

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  1. Pensar no centro tonal, improvisar usando a escala de dó maior (estude antes a escala e os arpejos do campo harmônico). Nossa preocupação agora está na criação melódica. Brinque com motivos rítmicos, abuse de saltos, etc.

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  1. Substituir a escala do centro tonal por sua relativa (dó maior = lá menor).
    1. lá menor harmônica (estude antes a escala e os arpejos do campo harmônico).
    2. lá menor melódica (estude antes a escala e os arpejos do campo harmônico).

    As notas fá# e sol# causarão certo estranhamento, mas lembre-se que estamos apenas estudando e acostumando com o som das escalas.

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  1. Substituir pela pentatônica (blues) de lá.

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  1. Usar os cromatismos gerados por todas essas escalas juntas. Agora é uma hora importante para lembrar do “esqueleto” (arpejos da cadência) e usá-lo para encontrar as resoluções das tensões.

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  1. Tonalidades afastadas.
    Os tons mais distantes do nosso centro tonal – dó maior – correspondem a:
    1. trítono, fá# maior.
    2. meio tom acima, dó# maior.
    3. meio tom abaixo, si maior.

    Começar escolhendo um compasso no nosso pequeno chorus. Nesse compasso usaremos uma dessas tonalidades (fá# ou dó# ou si). O importante aqui é construir frases unindo os dois tons (ex: fá#maior – dó maior). Para resolver a tensão melódica gerada pelo tom afastado, pense em caminhar para as notas do acorde, principalmente.

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    As tensões, na prática, não necessariamente precisam ser resolvidas. Faz parte do estudo saber resolve-las para que se crie uma intenção melódica, aquela certeza do que estamos fazendo. Segurança na hora do improviso é um grande fator, muito mais do que simplesmente tocar certo.
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